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Organização

Comando de Libertação Nacional (COLINA)

17 de agosto de 2023

Surgida de uma cisão da ORM-POLOP, o COLINA – Comandos de Libertação Nacional –, chamado apenas de “Organização” por tempos antes de sua nomeação oficial, foi um coletivo de combate à Ditadura Militar brasileira que se distingue dos demais pela crença no amadurecimento suficiente das massas exploradas para o início da guerra de guerrilhas, isto é, incorporação da luta armada como única estratégia eficaz para o desmantelamento do regime repressivo, muito devido à influência da Revolução Cubana. O mote “um exército só se destrói com outro exército” foi incorporado nas formações do COLINA e no modelo de luta anti-imperialista e anti-latifundiária adotado pela organização.

Sua dissidência com a POLOP veio justamente em razão de críticas a esta por sua abordagem menos direta da revolução, baseada mais na educação da classe trabalhadora do que na disputa armada contra o regime, o que fez com que alguns membros da POLOP fossem taxados, inclusive, de pequenos burgueses por militantes do COLINA. Essa dicotomia entre dois modos de militância – um baseado na estratégia da guerrilha e luta armada e outro na politização dos trabalhadores – pautou muitas disputas internas entre organizações de esquerda atuantes no combate à Ditadura e foi responsável por muitas outras dissidências além da ocorrida entre POLOP e COLINA.

A luta armada e a guerra de guerrilhas faziam parte do conjunto de propostas do COLINA não como fins em si mesmas, mas sim como partes de um processo de formação de um exército popular de potencial revolucionário. O estado de preparação dos grupos sociais marginalizados para a introdução desta nova prática, elemento essencial para a caracterização e legitimidade de um movimento popular de oposição, encontraria raízes, segundo o COLINA, no próprio processo histórico e contínuo de opressão da classe trabalhadora vivenciado no Brasil desde o estabelecimento da economia de base agroexportadora, passando pela fase de industrialização e a subsequente crise do modelo industrial.

O COLINA era composto majoritariamente por estudantes universitários, de forma que o movimento estudantil desempenhava o papel de incubadora de importância ímpar para os ideias do grupo e para o recrutamento de novos integrantes. O curso de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi fonte de muitos militantes do COLINA, com destaque para Ângelo Pezzuti, Herbert Eustáquio de Carvalho e Maria José Nahas.

Outro diferencial do COLINA quando em comparação com outras entidades revolucionárias era o investimento pesado em padronização de condutas, considerado por alguns similar, inclusive, ao do próprio dispositivo militar. A estrutura da organização era fortemente verticalizada, e a hierarquia, o respeito aos procedimentos e o alto grau de coordenação das ações constituíam princípios basilares de sua atuação. As ações do COLINA se deram exclusivamente na frente urbana, embora a realização de guerrilhas rurais estivesse nos planos da entidade. As guerrilhas urbanas consistiam em assaltos a bancos, furtos de carros e outros bens visando angariar valores para o financiamento da guerrilha rural.

Assim como outros grupos de resistência contra a Ditadura, o COLINA vivenciou um período de sucessivas prisões, assassinatos e torturas de seus membros que só viria a terminar em 1979, com a anistia.



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